Este blogue deixou de ser actualizado neste endereço. Para continuar a ler o Livro de Estilo, visite livrodeestilo.blogs.sapo.pt.

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

O fim que se esperava

Este blogue estava já a ser publicado neste endereço e no servidor do Sapo. E agora, confortavelmente lá instalado, deixa de ser actualizado no Blogger.
Por isso, Livro de Estilo continua aqui. Até já!

Acordo ortográfico foi aprovado no parlamento português

Acaba de ser aprovado no Parlamento o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, adoptado na V Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em São Tomé, a 26 e 27 de Julho de 2004.
Segue-se a ratificação do Presidente da República e sequente publicação em Diário da República. Depois disso, fica em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.
Livro de Estilo não irá alterar a grafia do português para a nova norma.

“Condomínio Público”

Dez anos depois da Expo, nasceu na zona oriental de Lisboa uma extensa área de habitação e serviços. Continua a não haver estruturas fundamentais, como um centro de saúde, mas os moradores estão, no geral, bastante satisfeitos com o sítio onde vivem. “Condomínio Público” é a reportagem desta semana da TSF, da autoria de Rui Miguel Silva e sonorização de João Félix Pereira. Hoje, depois das 19h, na TSF. Repete no domingo depois das 10h.

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Acreditar na comunicação social

A notícia vem, por exemplo, aqui. No PÚBLICO, fala-se numa sexta-feira, dia 15 (entretanto corrigido). Ora, dia 15 é hoje e sexta é amanhã, mas já é 16. Daqui se vê que o Acordo Ortográfico ainda não foi aprovado hoje no Parlamento, mas sê-lo-á na sessão plenária de amanhã, como aqui se documenta.

Acordo ortográfico será aprovado hoje no parlamento

Como já se sabe, e apesar das petições assinadas por milhares de pessoas, o Parlamento vai hoje discutir e certamente aprovar o protocolo modificativo que ratifica o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. Quer isto dizer que o que esse documento estipula vai tornar-se norma ortográfica, substituindo assim uma outra norma, de 1945 (que por sua vez sofreu alterações em 1973).

Já expus diversas vezes os vários argumentos por que sou contra este acordo, sem necessidade de recorrer a opiniões de terceiros. O primeiro dos quais tem que ver com o facto de a actual norma não ser desadequada em nenhum nível. O segundo prende-se com as diferenças indisfarçáveis que o português do Brasil apresenta em face do português europeu, tendendo a tornar-se línguas distintas. E poderia continuar a recordar outros argumentos igualmente válidos, mas isso seria repetir-me.
Percebo que o governo e o parlamento pretendam mostrar que, já que Portugal afinal é um país pequeno, a língua portuguesa não é uma língua pequena, mas, da minha perspectiva, isso não justifica que se altere o código de escrita.

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

História romanceada ou ficção documentada?

A área de Cultura Portuguesa do Departamento de Literaturas Românicas promove no próximo dia 26 um Encontro com o título sugestivo de “História romanceada ou ficção documentada? Olhares sobre a Cultura Portuguesa”. O tema prende-se não só com a escrita da História, mas com a escrita ficcionada que pode ser a História. Com início às 10h da manhã, as conferências que irão decorrer são:
“Tentação proibida – sob o signo da ficção”, Maria de Fátima Marinho
“Garrett como personagem: da biografia à ficção”, Ofélia Paiva Monteiro
“Alguns efeitos retóricos da dramatização da História em Oliveira Martins”, Maria das Graças Moreira de Sá
“Objectos e formas da ficção e da História”, Teresa Amado
De tarde, as conferências serão:
“A Biografia histórica”, Rita Costa Gomes
“Reinvenção do passado, mas não todo: em torno do Mosteiro do Lorvão”, Aires Nascimento
“Algumas reflexões sobre o género biográfico: em torno de Sancho II”, Hermenegildo Fernandes
Depois de um debate, haverá uma mesa-redonda às 17h, com João Aguiar, Fernando Campos e Miguel Real (moderação de Ernesto Rodrigues).
Tudo isto no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Sem comentários

Com a mudança de casa, parece-me desnecessário continuar a receber comentários neste endereço. Todos os textos deste blogue estão publicados e podem ser comentados, sem moderação, na nova morada de Livro de Estilo: http://livrodeestilo.blogs.sapo.pt/.

E a Autoridade da Concorrência deixa?

Que uma coisa destas aconteça? Ou o ministro da Economia está ocupado a fumar num avião, infringindo a lei?

Quimera na Presença

A Editorial Presença publicou recentemente a tradução portuguesa da obra Quimera, de Valerio Massimo Manfredi. Imperdível:

Fabrício Castellani, um jovem arqueólogo, encontra-se em Volterra para tentar desvendar o enigma que envolve uma belíssima estátua de bronze etrusca. Subitamente, o silêncio da noite toscana é rasgado pelo uivo sobrenatural de uma fera monstruosa que marcará o início de uma sucessão de homicídios hediondos que irá mergulhar a cidade num clima de terror. Manfredi deixa-nos rendidos à mestria com que reconstitui a atmosfera de uma civilização antiga, a poderosíssima carga de drama humano cristalizada na noite profunda e mágica do tempo.

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Finalmente, o Sapo

Tendo em vista a sua breve desactivação na plataforma Blogger, este blogue começa a ser publicado também no Sapo.
Pede-se a todos os interessados que mudem os favoritos ou ligações para http://livrodeestilo.blogs.sapo.pt/.

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Magestoso?

A licenciatura em Estudos Europeus da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa promove por estes dias uma interessante mostra evocativa sobre a construção da Europa no corredor em frente às reprografias, ao lado do meu cacifo.
Acontece que num cartaz lemos magestoso. O adjectivo ligado a majestade (que se grafa com j) não é magestoso, mas sim majestoso, também com j. A palavra vem de maiestas (de maior e não de magis, naturalmente), forma latina para ‘majestade, poder, importância’. Deve notar-se, por outro lado, que este é um erro comum (foram gerados oito (!) resultados no CETEMPúblico). É preciso ter mais cuidado quando se fazem cartazes, principalmente se o objectivo é afixá-los num local como uma Faculdade de Letras. Por esta altura, já alguém escrevinhou — e bem — por lá o j, a vermelho.

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Biblioteca Sábado

A revista Sábado distribui hoje gratuitamente o primeiro número (de uma série de oito) da colecção Os Grandes Autores. Esta conta com nomes como Mario Vargas Llosa, Paul Auster, Laura Esquivel, ou Gabriel García Márquez.
Os próximos volumes têm um custo de 1€.

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

O que muda com o Acordo (8)

A supressão das consoantes mudas ameaça ser uma mais-valia para alguns utentes da língua portuguesa, na sua variante europeia (já que, recorde-se, na variante sul-americana essa supressão já ocorre). Por exemplo, das 57 concordâncias do uso da palavra contracto geradas pela preciosa ferramenta CetemPÚBLICO, não há uma única correcta. O Acordo Ortográfico põe assim cobro a hipercorrecções do tipo contracto em vez de contrato. O contrato que assinamos para trabalhar não tem c, mas contracto (“que sofreu contracção”) tem. É por isso que se fala em ‘rescindir contrato’ e em ‘verbos contractos’.
O mesmo se prevê para retractar vs retratar, cujo uso é mais cuidado (não detectei erros na concordância gerada pelo CetemPÚBLICO, apenas casos ambíguos, mas a ambiguidade não é erro), ou para corrector vs corretor.

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

O que muda com o Acordo (7)

A Base IV do Acordo Ortográfico de 1990 estabelece o seguinte em relação às consoantes mudas:
- A manutenção do h inicial, por força da etimologia.
- Supressão das outras consoantes mudas (ou seja, não pronunciadas), como o c em acção, actual, actuar, correcção; como o p em óptimo, baptismo, recepção. Note-se que esta norma aplica-se apenas às consoantes não pronunciadas, pelo que vai continuar a escrever-se facto, pois aí o c não é mudo.

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Dicionários da Língua Portuguesa (2) Verbo

2. Dicionário da Língua Portuguesa (Editorial Verbo)
Este dicionário revelou-se uma agradável surpresa, ainda que a minha primeira impressão tenha sido imensamente negativa, muito por causa da publicidade que acompanhou o lançamento da obra (tal como descrevi aqui).
A “Apresentação” do dicionário revela o escopo do corpus do português que a obra contempla: “as trinta mil palavras mais frequentes do português contemporâneo e terminologia essencial dos domínios científico e técnico”, tendo sido o “número final de entradas e subentradas (...) fixado em cerca de quarenta e cinco mil.” Se tivermos em conta que os corpora sobre os quais o dicionário trabalhou (como “fontes primárias”) incluem 14 milhões de palavras (o Corpus de Referência do Português Contemporâneo do CLUL) e 20 milhões (PAROLE), o resultado é francamente modesto.
No entanto, porque digo que esta obra é uma agradável surpresa? Porque as entradas que tem, tem bem. Não só explicita com clareza os significados das palavras, como sugere alguns sinónimos. A estrutura da entrada é baseada (e por vezes o resumo) no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa. Tem alguns erros desse dicionário (como o terrível croissã), mas corrige outros (os gânguesteres já aparecem gângsteres). Regista ainda informações preciosas sobre a flexão de todas as palavras (nomes, adjectivos, e principalmente verbos, o que o da Academia não faz, como vimos), operacionalizando as noções gramaticais da TLEBS (útil, principalmente na classificação gramatical dos vocábulos). No entanto, faltam-lhe etimologias e transcrições fonéticas, bem como a sintaxe dos verbos (esta falha colmatada em parte pelos exemplos que surgem em todas as entradas).
O problema do método de elaboração de dicionários que se seguiu para fazer este — a partir das formas mais frequentes — reside precisamente nisso: ao registar as palavras mais utilizadas o dicionário contempla, na sua maioria, vocabulário que já se conhece, deixando de lado um avultado número de palavras de menor utilização e, por isso, desconhecidas. Até que ponto este é um aspecto menos positivo pode ser comprovado com o exercício que fiz.
Recolhi de modo aleatório 30 palavras das primeiras 124 páginas da tradução que António Pescada fez da obra Margarita e o Mestre (de Mikhail Bulgákov, editado pela Relógio d’Água, 2007):

aboletada (q.v. aboletar), arenque, à-vontade, brigue, bulevar, chantre, dichote, displicentemente (?q.v. displicente), embuste, enfezado, esgalgado, esguelha, estampido, fanhosear, flibusteiro, fosforescente, fox-trot, hemicrania, horto, itureu, lengalenga, maniatar, milícia, murzelo, neurastenia, prestidigitador, puta, rumor, sumo, tremó.

Deste minicorpus, as palavras aboletada, brigue, bulevar, chantre, dichote, fanhosear, flibusteiro, fox-trot, hemicrania, itureu, murzelo, puta, e tremó não têm entrada no dicionário. As palavras enfezado, milícia, e sumo não têm a explicação pretendida, tendo em conta o sentido que se procurava. O advérbio displicentemente não tem entrada, mas existe displicente.
Deve notar-se que, de todo o corpus, apenas fox-trot (por ser inglês) e puta (por ser calão) não vêm registadas no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves (obra que data de 1966), que inclui displicentemente.
Do mesmo modo, o acrescento de termos técnicos é, em certos casos, estranho. Por exemplo, porque será que há uma entrada para jambo, mas não para outros pés métricos greco-latinos, provavelmente mais comuns (dáctilo, espondeu, e troqueu)?

Apesar disso, o Dicionário Verbo da Língua Portuguesa é uma ferramenta preciosa para o utilizador médio (incluindo professores e estudantes), mas está longe de responder a todas as dúvidas dos consulentes (mais uma vez, é um dicionário que não se pode usar sem recorrer a outros) — isto não quer dizer, todavia, que seja um fraco dicionário, pelo contrário. Dentro dos objectivos que nortearam a sua elaboração, pode dizer-se que o Dicionário Verbo da Língua Portuguesa responde a quase todos. Repito a grande vantagem desta obra: nas suas entradas apresenta uma estrutura pouco comum, pela profundidade e qualidade de escrita, e integração de exemplos: os verbetes têm uma definição, não apenas valores aproximados que são dados por sinónimos.